Disse preferir a vida, mas foi se afastando dela desde quando se conheceu por gente — gente feita de pó, gente que um dia se deita, feito poeira rasteira. Não se atentou que estava no caminho contrário da vida, mesmo dizendo querê-la; porque a boca não prova nada além de palavras jogadas ao vento, mas os pés se direcionam para o futuro que deseja para si. Numa valsa triste, envolveu-se com a morte, não de forma escancarada, porque ela usa disfarce e ilude a face que se encanta com pouco. Se não estiver em alerta, a morte te mira e te acerta: é uma flecha que fende a esperança de ser. Quem dera não tivesse se permitido a tal apego, pois agora a dificuldade é o sujeito que não se despede de jeito nenhum. Então vai dançar; sim, vai dançar com a morte até o dia em que verá que a sorte não pousara por ali.
Também pudera: ficou enlaçado a quimeras, e a vida não reverbera na alma que não a quis. Seu flerte pelo pó foi tão presente que, abraçado com a morte, dançou sem ver o seu fim. E assim os dias vão passando e nada de novo acontece; só o Senhor se entristece por não abraçarem Sua vida. Foi tanta dedicação em busca de um coração que O pudesse reconhecer, sendo que tudo o que queria era lhe dar Sua vida para que pudesse viver.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Milena