Idoneidade e imparcialidade são requisitos para um bom juiz, e o que lhe dará respaldo em qualquer julgamento, além de claro, conhecimento jurídico. Ao falarmos em julgamento, logo vemos prontamente montado o pelotão da acusação e da defesa, as provas e as contra provas, indícios e embasamento para o provável veredito. Isso no julgamento de outrem, onde somos magistrados no julgamento da vida alheia, mas e quando o réu é nossa própria consciência? Examine-se, pois, a si mesmo, este é o mandamento, sabendo de antemão que toda avaliação pressupõe um diagnóstico e na maioria das vezes seu resultado não é bem vindo. O auto exame é algo um tanto quanto evitado pela maioria das consciências, afinal é muito mais cômodo ser juiz da conduta alheia do que a de sua própria. É fácil ser rigoroso com o erro do próximo, mas tendemos a ser advogados condescendentes da nossa própria conduta. Existe uma expressão latina que diz: “mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa”, que indica o reconhecimento de um erro cometido, assumindo a responsabilidade por seus atos. Mas, sabemos que palavras são somente palavras, que o verdadeiro reconhecimento do erro está no arrependimento e na mudança de atitudes, que se baseia no conhecimento da verdade de Deus, norte para o tempo de vivência, e assim no seu próprio reconhecimento como consciência. ”
Examine-se”, trata-se de uma análise profunda e honesta do “coração” e são requisitos fundamentais: a idoneidade, a imparcialidade, o conhecimento e a prática da verdade, no julgamento de nós por nós. Julgarmo-nos não será uma tarefa árdua se estivermos absortos pela verdade de Deus e fundamentados nela, mas se na contramão da verdade, não haverá sequer julgamento, pois seremos como néscios, falantes e não praticantes, vivendo a hipocrisia de que o conhecimento nos torna aptos de sermos aninhados pelos braços do Pai. Examinar-se causa dor, mas também, se corrigido, traz cura! A verdade dói só uma vez, já a mentira dói toda vez que precisamos sustentá-la. O verdadeiro julgamento não é ser absolvido pelos outros, mas é ter a coragem de enfrentar o próprio tribunal interno, sua consciência, com a verdade como testemunha, padrão absoluto para a condenação eterna ou para redenção! Examine-se e julgue a ti mesmo! A começar em mim!
Por Lo Xavier