Antes, no inconsciente em sua escuridão, a luz não refletia; mesmo existindo, ali não resplandecia. A alma ainda não se tornara espelho, sentia apenas o pó do instinto que lhe cabia, feito roupa pequena que um dia não mais serviria. A intenção era que crescesse, não em tamanho físico e mortal, mas na infinidade de sabedoria que lhe pudesse acrescentar. Arquivando em sua pequena memória, aos poucos, tudo o que pudesse guardar. Como um baú infinito, onde se guardam as preciosidades perpétuas. A princípio, o caminhar de uma criança que aprende a andar, trazendo a alegria imensa de enfim perceber que já consegue se equilibrar.
E assim vão dando seus passos, devagar e sempre: é o acordar da mente, o florescer da semente, que acende e nos deixa frente a frente com o clarão que nasce na alma e nos transcende. Levemente, nos deixando acesos infinitamente, infinitas mentes, formadas de forma consciente. Onde, de repente, já não se vê mais como gente, mas como um ser que não se limita e se fortifica, deixando a alma contida a se preencher apenas da vida. A satisfação transborda de forma calorosa, pelo nascer do ser que faz a alma transcender em prazer. Por sentir ser o ser que nasce no amanhecer Um sol interno que se levanta para nunca mais, Em tempo algum, anoitecer.
Por Patrícia Campos