Não tem coisa mais terrível do que um rosto triste, marcado pelas frustrações da vida, me dá até vontade de chorar, eu sinto as dores da consciência como se fosse comigo. Eu sei muito bem o que é um olho perdido no infinito, tentando entender o que aconteceu, sem resposta. Você busca argumentos no vazio, mas a cena fica estática, o olho fica parado num só ponto como que tentando olhar para dentro. É assim que eu vejo a humanidade hoje, sem rumo a seguir, eu vejo o mundo como um reino cheio de bobos da corte, tentando fazer o rei sorrir. Um esforço inútil, trabalhar por salário para pagar a miséria em que vive, todos são escravos do sistema e saem para se alegrar um pouco nos finais de semana.
É melhor ser andarilho, não ter hora para chegar e nem aonde chegar, dormir na rua, nas calçadas, no mato, onde der sono, minha casa é o mundo e a minha sala é onde eu estiver. Meus conhecidos são os transeuntes e eu não tenho com quem conversar, nem o que conversar, converso comigo mesmo, coisas da minha cabeça. Eu não gosto de conviver com as pessoas, o meu mundo é outro, as minhas ideias são outras, o meu jeito de viver é outro, e não concordo com ninguém deste mundo. Até dói no meu peito as conversas que ouço das pessoas, assuntos que não me dizem respeito e o pior é que eles levam a sério. Desde criança já obrigam ir à escola para aprender coisas que nunca vão usar na vida, só cultura inútil e ninguém sabe a razão da vida e nem buscam saber. Até os ditos mestres e pensadores da existência não sabem absolutamente nada sobre a razão da vida, a ciência humana então, dá até vergonha, só mexem com números improváveis que eles dizem ser precisos, mas cada astrônomo fala uma coisa.
Por O teu espírito diz