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O último grão de areia

A areia de cada ampulheta, um dia, cessará. E a sensação do último grão deslizando pelo funil de vidro é algo que a consciência nunca esquecerá. Findou o tempo. Acabou a marcação do cronômetro e de todos os momentos. Não há mais fôlego, não há mais cansaço, nem mesmo um corpo para ocupar um lugar no espaço. O fim da esperança chegou. Nem o sorriso da criança foi capaz de mudar a sentença, seguida de lágrimas. “O que foi que eu fiz?” Perguntou em alta voz a si mesmo. Mas a resposta parou no ar e não teve onde se assentar. Tudo foi posto em nossas mãos. Bastava seguir o caminho da vida sem mudar ou acrescentar uma vírgula na direção.

Era só continuar seguindo as mesmas pegadas Daquele que veio de Deus, para que víssemos a aurora. No entanto, nem o próprio Deus soube o que aconteceu, porque as consciências não deram continuidade à vida. Ficaram presas na dobra da ampulheta, esquecidas pelo tempo. Mas a todos que ainda estão dentro do tempo, não esperem pelo último grão de areia para realizar o que de fato viemos fazer neste mundo, pois certamente isso não acontecerá. Você deixou o que é mais valioso em último lugar.

Por Lauro Balbino