O tempo não deixou um aviso, nem uma carta; tampouco nos comunicou que passaria tão rápido. Amanhece e anoitece, e quase sempre estamos no mesmo lugar. Nem percebemos que se foi mais um dia: a rotina é o nosso despertador e o cansaço, o nosso relaxante. Vivemos em um mundo onde todos os dias parecem iguais, e ninguém se atenta à contagem regressiva que acontece nos bastidores. Afinal, o fim está próximo — e não estou falando do fim do mundo, mas do fim de cada um que parte dele. Ninguém se atenta para o verdadeiro propósito da vida. Nascem, crescem e morrem sem ao menos chegarem perto de compreender a que vieram. Não há interesse, por parte das consciências, em saber qual é a sua função, o porquê de terem sido criadas como seres humanos e o que precisa ser realizado para o Criador. Enquanto isso, os ponteiros continuam acelerados. Parecem correr em uma disputa onde sempre ocupam o primeiro lugar, vencendo por sua velocidade implacável.
De alguma forma, a sabedoria tenta constantemente nos avisar do que está acontecendo, mas as consciências seguem desatentas. Tudo neste mundo as entretém com banalidades, iludindo-as com superficialidades, e o sonambulismo do engano as põe de pé para irem ao seu encontro. A ampulheta da vida escorre sua areia, e as almas se prendem ao pó miúdo da balança de forma vulcanizada, parece até que a poeira faz parte de quem são. No entanto, a alma precisaria se levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Deveria habitar um lugar elevado, em vez de continuar rastejando como as lagartas. O chamado é para que se tornem borboletas divinas, cujas asas são o próprio espírito do Senhor que as vivificam.
Por Patrícia Campos