Para quê acumular tanta quinquilharia se no dia do juízo nada que juntou poderá usar? Ah, consciência insana se tornou o museu da ignorância, de um palácio celeste transformou-se em um muquifo desorganizado cheirando a morte onde sobra resquícios de lamentos, apenas a poeira pairando em seu teto desgastado pelo tempo, colecionou tanta dor em seu imo a troco de uma carga pesada incapaz de carregar, em sua estante as prateleiras servem apenas para expor a vergonha de um livro esquecido onde nunca pôde contar a sua história enterrada antes mesmo da morte chegar, como um fracassado envergonha-se diante a luz e isso lhe dá desespero, o medo de se mostrar é tenebroso se sente incapaz de acender a luz da vida em sua candeia, as dobradiças estão rangendo tamanha mágoa istalada em seu peito esmagando o cisco da nitidez que sobrou, há tempos nenhuma fresta se abriu permitindo que o Senhor entre e venha alumiar este breu em meio a este sertão esquecido.
Museu da ignorância tu és, oh, casa vazia, onde guardastes os tesouros que te deixei? As relíquias divina tu as deixastes por um resto de chão na esquina fria, até os cachorros da rua tem pena das tuas dores, pastando junto as bestas tu forraste a alma com as migalhas do cão, se rasteja a beber as goteiras das calhas enlodada que mancham a tua reputação, em meio a este lamaçal de engano que escandaliza o teu pobre coração chora as lágrimas de sangue. Até quando envergonhará o vindo de Deus com as tuas traições? Como as prostitutas mendiga o amor jogado ao léu, e de noite chora a falta dos teus amantes, sem rumo segue perdida nas esquinas desta vida mesquinha dando adeus ao único que te estende as mãos.
Por Milena Gomes