A liminaridade é um estado de transição ou de ambiguidade entre duas fases: um limiar onde as antigas regras já foram suspensas, mas a nova ordem ainda não foi estabelecida. O termo descreve um limbo, um “entre-lugar” que precede uma transformação profunda. Logo, vemos que se trata de uma mudança de fase, de um momento em que uma escolha se apresenta e, a partir dela, devemos decidir o caminho que mais nos convém. Assim acontece com a consciência quando Deus é colocado diante dela. A consciência escuta, observa, conhece e chega a um determinado ponto em que vive o estado de liminaridade. Ela se encontra sobre uma corda bamba e precisa escolher entre viver pela carne ou viver pelo Espírito e servir a Deus. É um momento de intensa busca interior, um estado em que a consciência se sente dividida, embora o coração já tenha escolhido.
Falta apenas o posicionamento para decidir entre o bem e o mal, entre a vida e a morte, entre os prazeres momentâneos e os deleites eternos. Viver, todos vivem; mas tornar-se a Vida é para poucos. É uma metamorfose que quase ninguém deseja compreender: uma mudança de natureza, a consciência que a criação humana produziu tornando-se um ser espiritual. As conversas já não coincidem, as ideias deixam de se encaixar e as ações passam a se contradizer. Existe uma linha invisível separando dois mundos. É uma pequena consciência diante da maior decisão de sua existência: escolher qual ser deseja alimentar. É um instante que dura segundos, mas cujas consequências atravessam a eternidade. Mundos diferentes coexistem no mesmo habitat. A escolha não é difícil de fazer; difícil é permanecer nela, pois todos desejam a vida, mas poucos estão dispostos a conquistá-la.
Por Luiz Gustavo