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O peso da incompetência

Há uma inércia constante: os pés que sentem o peso, a boca que fala o que não deveria ser dito, a expressão que nada camufla, e o peito que arde sem anestesia. A verdade se mostra nitidamente; só não a vê quem não quer. Dizem que depois da tempestade vem a calmaria, mas isso parece utopia, a rotina de um ciclo que nunca termina. A tristeza não bate à porta; na real, ela nunca foi embora. Só havia ficado quieta, na tentativa de fingir não existir. Mas o tempo lhe cobra uma posição: “Não vai dar o ar da sua desgraça?”

E ela, sem inocência e sem disfarce, aparece. Devido ao verbo que insiste em não esvanecer, a dor se tece pelas mãos que se estendem e provam da sua própria incompetência. Ela nunca se despediu, muito menos se despiu de nós; permanece incubada. De vez em quando dá as caras, enquanto o amor que é pura compreensão acena de longe, ensinando o quão tola foste em tantos momentos volúveis, justamente pela tua falta de amor. O coração se aperta, a alma desacelera. Atacas em ti tantas pedras que nem o tempo recupera essas falhas que parecem não terem fim. É só um dia a mais, de todos que são iguais. Não cessam todos seus ais, e, no fim, goteja carmim.

Por Patrícia Campos