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Vemos ou ouvimos?

Há uma incógnita na percepção. Por vezes ouvimos, ouvimos… e não chegamos à compreensão. De nada vale o coração ouvir se não sentir; torna-se um eco perdido, um som sem sentido. Não que falte relevância — tudo depende do ponto de vista. Há corações que se propõem à abertura do conhecimento, que deixam aflorar a curiosidade e se colocam como aprendizes. Com simplicidade, ouvem com atenção e buscam o que está sendo anunciado, porém, há também os corações displicentes. Ouvem apenas por conveniência e fingem sentir para agradar. Na realidade, não se importam com o que escutam; é um murmúrio imperceptível, tentando convencer quem não quer ser convencido. A verdade não precisa convencer ninguém, ela simplesmente é, e aquele que a valoriza e se doa para obtê-la, a terá.

É preciso encarar a verdade, olhar em seus olhos para compreender que não é o som que traz a clareza. O que nos desperta é depararmo-nos com o saber de forma transparente, onde não há brecha para a desconfiança, não desvalorizo um bom ouvido, porém, os olhos são infinitamente mais preciosos quando percebem a complexidade que nos envolve. É necessário colocar-se a enxergar. Ver não abre precedentes para a dúvida, não nos deixa descrentes. Por este motivo, devemos ir e ver — e não apenas ouvir. Pois nem sempre o que ouvimos traz discernimento, mas contemplar a verdade nos traz direção.

Por Patrícia Campos 🌺

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