Há uma fronteira clara entre o individual e o individualismo. Enquanto o individual se refere aos traços únicos de cada ser — ou àquilo que precisa ser trilhado solitariamente —, o individualismo reflete a postura de quem se coloca acima de tudo e de todos, alheio ao próximo, desprovido de empatia e encerrado no próprio ego. Tratando-se do propósito da vida, fomos alertados sobre dois caminhos. Estranhamente, tais veredas não estão do lado de fora, onde os pés podem pisar, mas habitam dentro de cada um de nós. São caminhos que se percorrem no coração, e quem os atravessa é a própria consciência. De um lado, há o caminho da vida, que exige a travessia individual. Cada um precisa percorre-lo perscrutando cada centímetro da própria alma, examinando-se de forma minuciosa e atenta para ter a certeza de permanecer no rumo certo.
Quando trilhado em sua plenitude, esse caminho revela que não existe um fim, pois deságua na eternidade; e, a partir dali, é o infinito que nos completa. Do outro lado, a via mais transitada é o caminho da morte — um atalho fácil onde os que caminham se isolam no individualismo. É o império do “cada um por si”. Nesses passos, não se exige atenção: basta fazer o que quiser e andar sem direção. É uma estrada egoísta, onde a consciência não cuida sequer de si mesma. Julga fazê-lo, mas quem caminha para a ruína demonstra algum zelo? Estranha mente, insana mente, que no fim mente para si mesma… Estranha semente que faz brotar a ilusão no próprio peito, julgando saber para onde vai. Há uma linha tênue entre o que precisa ser percorrido individualmente e o que se trilha pelo individualismo. Quando ultrapassarmos este plano, saberemos exatamente por qual desses caminhos andamos — revelados pela forma como nos portamos enquanto estivemos aqui.
Por Patrícia Campos