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A corrida dos ratos

Olhares marejados de tristeza,
Estampados em suas faces.
A correria os rodeia dia e noite,
Na busca incessante por suas vaidades

Gananciosos, cobiçam coisas alheias,
Olhos esbugalhados diante do nada,
Buscam satisfação em grandes besteiras,
E vivem sem eira nem beira,
Numa existência desorientada

Contam mais com a sorte
Do que com a vida que pulsa
Deixam a liberdade jogada fora
E vivem presos em suas próprias loucuras

Cobram dos outros uma postura digna,
Mas sujam as mãos para enganar
Se podem, trapaceiam na cara dura,
E jamais se predispõem a ajudar

Corações sujos e mal-intencionados
Perderam, por completo, a pureza
Vidas jogadas na calçada fria,
Sem encontrar o caminho da própria essência

Como falar de amor neste mundo,
Se o ódio pelo próximo se espalhou?
A irmandade nunca existiu de fato,
É apenas uma palavra para aliviar a dor

Já não reconhecem um semelhante,
Nem se dispõem a estender as mãos.
Esperam consideração vinda de fora,
Enquanto esquecem de abraçar o próprio coração

Até onde isso vai, não sei dizer,
Mas sinto muito em ter de falar:
A compreensão passou de largo,
E os corações só aprenderam a chorar

Aquilo que um dia plantaram, agora colhem,
E tudo vem como um furacão.
Não deixam a mente repousar em silêncio,
Pois se perderam nas próprias ilusões

Não há como conter tamanha loucura,
Nem como fechar os olhos para o que vejo
A corrida dos ratos acontece a todo instante,
Na perseguição ao cifrão que alimenta seus desejos

Por Ítalo Reis