Estão por toda parte, adoecidos, corações enfraquecidos pelo sistema, caminham acelerados para um vazio, um vazio interno, o próprio inferno. Talvez estas palavras sejam pesadas demais; a questão é que a vivência evidencia os fatos, são fardos e fardos sem nenhum presságio. A tristeza olha para tudo isto e fica triste, porque não há limite; são guerras a troco de nada, entre falas mal colocadas, exposição das senzalas, e as presas dão muitas risadas. Não sabem o que lhes espera, em si mesmos se encarceram, atos que desesperam e o medo que não superam. Os olhares pelas janelas descem as cachoeiras, os males trazem olheiras, e a dor que nos rodeia, sem eira nem beira, lá se vai em ribanceira, descendo sem freio, um luto no espelho, e nada por ali é feito.
E quando se pergunta: “Está tudo bem?” — mesmo respirando por aparelhos — a resposta vem: — Passo bem… Como passa bem se seu peito colhe o vazio, uma bulimia no frio? Não há fogueira para aquecer os corações, não há alimento, não há refeições, apenas um sistema regido por ladrões, ladrões de almas, ladrões de paz! O tempo já não se conta mais, não se encontra o berço do cais, apenas os ecos dos ais que acabam de começar. Não houve tempo nem mesmo para chorar, porque é preciso se levantar para quiçá alcançar um pingo de dignidade. Mas isto há de ter coragem: enfrentar a si mesmo, derrubar os seus medos e arrancar os anseios que te prendem e te puxam para o centro de tudo o que não tem valor. Uma gravidade grave, que te engole por inteiro e não pela metade. Esforça-te e não te deixes vencer, antes escolha viver, desprenda-te da morte, não conte com a sorte, porque ela não existe. O que existe é o amor, a compreensão e o valor da existência que habita em ti, e que quer te conduzir, tirando-lhe daqui, levando-o para o plano que lhe fará existir por toda a eternidade.
Por Patrícia Campos ![]()