Toda consciência, sem exceção, tem o senso de justiça dentro dela, mesmo ela não deixando transparecer, é o juízo da lei da vida. Por isso todas carregam o peso do complexo de culpa dentro delas, todas as consciências, mesmo não deixando transparecer, sabem que estão em dívidas com o propósito de existir. É uma espécie de culpa inconsciente, mas que a acusa constantemente, como quem diz: não sei o que é, mas me sinto culpada o tempo todo de alguma coisa. Aparentemente a pessoa parece tranquila e que tem o controle de todas as coisas, mas internamente a culpa corrói a alma e machuca o coração, parece estar bem por fora, mas está péssimo por dentro. A pessoa busca se distrair com trabalho, família, diversão, caridades, passeios e até tomando algumas cervejas, mas o problema é quando ela está lúcida e sozinha, a culpa, não sei de onde, volta a atacá-la.
Quem pega pesado com a consciência não são os de fora, mas é ela mesma, basta ficar um tempinho sozinha que o complexo de culpa volta a atacá-la. Por isso a depressão, as angústias, os tormentos e as ansiedades que não a deixam ficar sossegada, mas sempre tem que procurar alguma coisa para fazer. Ocupar a consciência com alguma coisa para se distrair, alguma coisa que se sente útil como se alguém dependesse dela. Mas ela nunca sacia a alma do saber do propósito da vida, ela sabe que está em falta com a razão de existir, sempre falta alguma coisa que ela não sabe o que é. Procura ir numa igreja, fazer o bem, até paga o líder religioso para ouvir alguma coisa agradável de si mesma, mas nunca a completa e anda sempre vazia. Muitas chegam à loucura, chegam até ao suicídio, tomam tarjas pretas para aliviar os sintomas e o mundo está como vemos, tudo é só aparência, e de verdade mesmo já está tudo acabado só esperando o último fechar as portas.
Por O teu espírito diz