O peito dói, uma dor sem fim. Sinto o coração se quebrando. Será o dia da partida ou o começo de um fim? Desejo muito mais, e meu peito arde. A ansiedade me domina e minha barriga se descontrola. Penso, sonho e busco, mas a cada passo é possível sentir uma faca entrando cada vez mais em meu peito. Ela não atinge diretamente o coração, mas passa raspando — e isso dói muito mais do que o físico. Quero pensar que é ilusão, mas infelizmente sei que esta é a dor de carregar o pecado em meus braços. Eu o carrego e cuido, mas no escuro ele me perfura e me tortura. Não é prazer, e sim uma alienação causada por tanto se deixar levar. Sei, e sabemos, onde está o erro. Não é apenas no desejo, é no sentimento, no pensamento, nos sonhos e no querer da consciência.
Diante de tantas doenças neste mundo, nenhuma é mais mortal do que a doença do pecado, pois muitas vezes ela não é reconhecida e, quando é, diz-se que faz parte da personalidade. E a única cura é se livrar do pecado dentro da própria consciência. Doença que, se não for curada, chegará o dia da morte e, depois, esta te levará ao vazio da eternidade. Mas para a cura não basta apenas abandonar o erro, e sim tornar-se intocável por ele. Somente se desligando do pecado e se ligando à vida é possível se tornar limpo. E mesmo que alguma doença deste mundo te domine, a eternidade no campo da vida estará à tua espera. Este é o caminho para cessar a dor da carne, acabar com o sofrimento angustiante da consciência aprisionada na carne: fazer uma troca de desejos, morrer a cada dia mais para a carne e se entregar, a cada dia, mais à vida. Abandonar o efêmero, ignorar o mundo, e enxergar a vida e limpar o mais profundo.
Por Luiz Gustavo
Tema sugerido por Patrícia