Tem uma canção que ecoa um questionamento: até onde vai a sua coragem? É uma pergunta que exige silêncio e análise. Falar de coragem é fácil, difícil mesmo é o embate contra os nossos gigantes. Não os externos, mas aqueles que crescem nas lacunas da nossa alma. Esses não se vencem com força física, mas com a luz da compreensão. Muitas vezes achamos que nossos inimigos são as pessoas que nos fazem mal aqui no mundo, mas nossos piores inimigos moram dentro de nós. São os nossos medos e sentimentos que se agarram à nossa alma e não saem por nada; são como nódoas em tecido fino que não saem de nenhum modo e que ainda os cultivamos, sem ao menos percebermos. Existem gigantes vestidos com a máscara do amor. Nós nos enganamos julgando ser um apego do bem, mas a verdade é um espelho e nos mostra que muitas vezes não estamos enxergando da maneira correta. O apego desmedido a pessoas e coisas, não nos faz bem. Um dia vamos partir deste mundo, e então percebemos que estes laços não cabem na bagagem da vida.
Ficaremos presos ao que não podemos carregar, nada deste mundo atravessa o portal da eternidade. Não levamos nada deste mundo. Por isso, devemos buscar os tesouros do céu e nos ligar ao espírito da vida que habita em nós. Ele é o nosso corpo eterno, e através dele nos ligamos ao que é espiritual. A carne e o espírito existem, mas uma morre e o outro é a vida. Se ficarmos presos ao que morre, teremos sofrimento. Se nos ligarmos ao espírito, compreenderemos tudo. A nossa coragem está justamente em ter força para se desligar do que passa, do que é nada, e se ligar ao espírito, que é nossa vida eterna. É preciso coragem para derrubar os sentimentos que construímos aqui. Isso mostra o quanto nos amamos e o quanto amamos a Deus: conseguir se desprender do que nos destrói em vez disso, nos fortalecer. É uma questão de compreensão e ação, e cada um fará por si. Não tem outro caminho para chegar à próxima etapa da vida senão se provar como um guerreiro sábio.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Jeane