A consciência é a verdadeira criadora de desejos; por ela, tudo pode ser almejado — das coisas mais simples às mais complexas, dos anseios mais puros aos mais sórdidos. A consciência sente tudo: a dor, os anseios, a tristeza, os medos, as alegrias, a paz e todos os sentimentos prováveis e improváveis. Tudo é sentido na alma e, por isso, ela é a geradora do querer; ela é quem sonha com as ilusões e com tudo aquilo que desperta em seu âmago. A alma cria expectativas e, por meio delas, experimenta o amargor da decepção. Ela alimenta seus desejos a cada pensamento alicerçado em si, fortalecendo-os conforme os nutre, conservando-os e adotando-os como seus “desejos de estimação”. Criar desejos detém um certo poder.
É uma força positiva quando se criam anseios que favorecem a vida; porém, há desejos que inclinam para a morte. São desejos que ultrapassam o limite da sensatez, que distorcem e envolvem a alma em caminhos tortuosos que não convém trilhar. Requer raciocínio ser um criador de desejos perenes — desejos que tragam prazeres verdadeiros e eternos, que nos tragam alacridade e façam a alma descansar em paz. A sabedoria nos mostra que os desejos que convêm à alma são aqueles que nos fazem prosperar dentro das reticências divinas, as quais nos dão sequência de dias, tornando-nos incontáveis dentro do infinito. Este é o papel fundamental da consciência: criar desejos, mas ser sábia nesse processo para que não percamos o sentido da existência. Que nos tornemos máquinas de desejos imortais que, pelo discernimento, refletem o amor. E assim segue a alma, criando desejos, até o dia em que ela se eterniza com a vida ou se finda com seus desejos fugazes. Dependerá dela própria tornar-se a máquina de desejos que lhe convém.
Por Patrícia Campos
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