No peito o tom
De um toque vazio
Não ouve seu som
Um filme sombrio

A flor não desabrochou
Não teve suas pétalas
A água que a regou
Escorria da janela

Não buscou força
À ponto de apontar
E o pingar das gotas
Inundavam-lhe em mar

Um desafino só
Suas notas decor
Dó seguido de dó
Sempre uma nota só

A tristeza era a companhia
Era a única que tinha
Semente em terra fria
Não saía pra ver o dia

Tornar-se girassol
Era mero sonho esquecido
Voltar-se para seu ser sol
Era quase que impossível

Mas se quisesse viver
Teria que desdobrar-se
Focar-se para vencer
Afim de iluminar-se

Tirar forças das entranhas
Alimentar-se do saber
Arrancar-se o engano que sangra
Não deixando-a florescer

Esforça-te, venha para fora
Mostre a beleza que tens
No teu interno mora
Sua riqueza, seus bens

Aprecie o tom
Que lhe traz a cor da vida
Como o acordeon
Que toca o som da alegria

Patricia C.