A palavra ladainha tem origem no latim litania, que por sua vez deriva do grego litaneia, originada do termo lite (“súplica”). Popularmente, são denominadas com o termo, as conversas entediantes que insistem no mesmo tema. Figurativamente, o termo ladainha, refere-se a uma falação longa, monótona, aborrecida, tendo como principais sinônimos: lenga-lenga, cantilena, arenga, repetição, e os religiosos: litania, reza. Para todos os cantos, becos, ruas, avenidas que podemos olhar, tem uma consciência perdida em um lenga-lenga infinito, em uma infinidade de enganos falados repetidamente, feito um mantra universal, que lhes causa comichões agradáveis em seus ouvidos e conforto para suas misérias! Sim, é fato que o engano só prospera onde encontra ressonância!
Se diz que a fé sem as obras é morta! De encontro a tal conceito, o conhecimento do propósito de Deus sem ação, torna-se apenas em falação, indo mais além, em mesmice. Na verdade, gera igualdade, porque a ação diante do conhecimento deve gerar mudança, renovo, contudo se não há, gera apenas ladainha, repetição, onde todos os dias se diz: eu tenho, eu preciso, é verdade, sem no entanto ir de fato ao encontro da real e profunda metamorfose existencial. Sem ação, o conhecimento se torna um amontoado de palavras vividas diariamente, o que traz a falsa sensação de estar caminhando, quando na verdade está apenas sobre uma esteira de palavras, ou seja, mais uma cópia do ambiente, estagnada na zona de conforto da retórica, transformando a sabedoria em ladainha.
Por Lo Xavier