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Lançar-se à liberdade

O medo enraizado na alma se desenha como grilhão; mesmo invisível aos olhos, é a corrente que prende o coração. Por mais que seus passos acelerem, é como se você não saísse do lugar: a mente vaga lentamente e o tempo passa devagar. Uma câmera lenta que atormenta. Então você senta e tenta emergir desse estado que não te move a lugar nenhum, senão ao abismo que o rodeia, sugando seus pés ao encontro do vazio. Você quer se lançar, lançar-se à liberdade. Queria que ela o invadisse assim como o medo: sem pedir licença. Mas não, a liberdade tem educação; não sai por aí estendendo a mão sem ser desejada.

E não basta o desejo, é preciso o despejo dos lampejos que corrompem o sentimento do anseio de ser livre. De voar como os pássaros. Sentir o que eles sentem ao cruzarem as alturas, nas estradas celestes onde não há semáforos, mas onde todos se entendem, cada um no seu espaço. Eles buscam sempre o voo mais intenso, a caminho do firmamento que os acolhe e os faz confiantes. E nem por um instante deixam de confiar Naquele que os criou, que os dotou do voo para nos ensinar o quão bom é voar. É hora de libertar a nossa alma das amarras deste mundo e de tudo o que nos confunde, trazendo-nos a verdade e, com ela, a emancipação. Livrando-nos, enfim, do engano que nos prende a este sono profundo chamado ilusão — onde nenhum coração consegue se encontrar em paz.

Por Patrícia Campos 🌺