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Nada disso importa

Os dias iguais não trazem esperança; a mesmice predomina e o cansaço aumenta. Não falo do cansaço físico, esse já opera no automático, mas das dores que os olhares entregam, mesmo quando guardadas no silêncio, são dores que a alma carrega. Janelas que se expressam no olhar cabisbaixo, longínquo, distante de si mesmo. Vez em quando, um sopro questiona a mente: Para que tudo isto? Nada disso importa, senão o campo e a porta: a consciência e sua abertura para a vida. Os anos passam, sem trégua, e para onde estamos indo? A humanidade adoeceu. Os remédios já não curam, apenas adormecem o pranto. É um mal interno, sem prognóstico, que nenhum médico consegue decifrar, pois nem eles compreendem as próprias feridas. Mas, pensando friamente, há um caminho a trilhar. Somente quem caminha por ele arranca o peso do peito e se torna reticências em outro plano, em outro lugar. Tudo o que os olhos mortais contemplam é efêmero e não nos acompanhará na partida. A sabedoria, então, sussurra: Lança mão do arado e não olhes para trás.

O campo da consciência é vasto. Por ele, encontramos a paz que já habita em nós, no âmago do coração. Quem não se deixa tornar obsoleto, encontra sua razão. Não estamos aqui por acaso. Somos a terceira relevância nesta imensa expansão: primeiro, o Dono do Verbo; na sequência, a Sua semente; e, então, o nosso coração — a consciência produzida pela criação. Por ela atravessamos planos e trocamos de existência. Por ela raciocinamos, até esbarrar na compreensão de que nada somos sem o Autor da Vida. Não há erro de interpretação, cena mal resolvida ou falha na atuação. Trata-se de vivência, de uma transmutação do ser: derrubar o efêmero que há em nós e erguer a semente perene antes do entardecer. Um dia, a noite tomará a alma. Se ela não estiver sóbria, com o óleo em sua candeia, nada disso importará se a luz não permear sua eira. Pois nada é mais sagrado à consciência que o espírito que nos sopra a vida: Ele é o nosso corpo eterno, a existência eterna que toda alma necessita.

Por Patrícia Campos