O que se deve guardar na profundidade deste baú chamado alma? Lugar onde cabem infinitos e, ainda assim, sobra um vácuo de imensidão. O espaço e o tempo são réguas dos mortais, pois, por não serem eternos, os homens tentam limitar o que é vasto. Contudo, há uma existência perene que habita em nós; o nosso verdadeiro tesouro: a Vida! Raramente se enxerga a vida como a joia que ela é. Muitos dizem amá-la, mas poucos desejam possuí-la em sua plenitude. Se a quisessem de fato, não ansiariam tanto pelo que é efêmero, deixando a vida — essa que é eterna — esquecida em um canto qualquer deste velho baú, como se não possuísse valor. Ora, a vida é a substância mais preciosa da consciência; sem o pulsar da vida, a própria consciência perde sua razão de ser. A consciência é um prodígio: ela armazena o que capta através destes meros olhos mortais e, indo além, enxerga o invisível pelo fio do raciocínio.
É por meio da razão que alcançamos o entendimento e, primordialmente, compreendemos quem somos e o que fazemos neste plano, dando sequência ao objetivo Daquele que nos criou. Hoje, os baús parecem perdidos, sem saber o que conter; abarrotam-se de futilidades, ignorando que chegará a hora em que o vazio do fútil não encontrará mais lugar. A Vida atravessa este mundo com a missão de resgatar a consciência: aquela que for sábia a acolherá com reverência; a tola, porém, a desprezará. Ao fim, a alma tola será também desprezada pela Vida, tornando-se apenas um baú de recordações mortas, destinada a guardar o nada.
Por Patrícia Campos