Onde foi parar a verdade dos corações? Em qual lugar está guardada a pureza que neles habita? Qual é o verdadeiro sinônimo da palavra amor? E quais atos revelam a compreensão com franqueza? Cadê aqueles que lutam bravamente pela vida? Onde foram parar os guerreiros do Apocalipse? Cadê as palavras que aquecem os corações? Os olhos estão todos marejados, tristonhos, sem saber qual rumo tomar. O individualismo e o egoísmo tomaram conta e a hipocrisia paira no ar. Cadê os filhos daquele Reino lá de cima? Cada um se espalhou, dando lugar à ignorância e às dissensões, enquanto a vida foi deixada para depois. Olhem ao seu redor, vejam o ciclo vicioso em que se encontram. Parados no meio da estrada, o que se vê são apenas dores e prantos. Os olhos deixaram de olhar para dentro, e o foco se tornou apenas o exterior. Julgam uns aos outros e permanecem estagnados, incompletos. Por que permitiram isso? Por que se deixaram levar? Por que se afastaram d’Aquele que aquece a alma e foram sofrer no frio do relento? Permaneceram sofrendo as consequências que os machucaram e ainda trazem tormentos. Vamos falar a mesma língua: a do entendimento. Vamos nos fortalecer na união, pois o engano se estabelece onde tudo está fora de ordem, onde reina apenas a confusão. A vida ainda acena.
Ela continua nos mostrando como devemos proceder. Vamos agarrar essa oportunidade única para sentir o seu verdadeiro poder. Vamos nos alegrar na verdade da vida e jamais tomar o cálice da vacilação. Vamos brindar com o vinho da vida, pois é ele que faz pulsar os nossos corações. Vamos ter prazer naquilo que Deus nos mostrou por Sua graça. Vamos compartilhar os nossos dons. Vamos ser sinceros conosco mesmos e esclarecer tudo aquilo que carregamos em nossa bagagem. Vamos compartilhar nossas fraquezas. Vamos incentivar uns aos outros nas batalhas. Vamos permanecer unidos pela mesma causa. Vamos constituir a vida em nós, tomar posse dela e fazer com que seja vista em nossos atos, no abrir da nossa boca e das nossas janelas. Vamos proclamar a liberdade ao nosso peito e sermos livres para voar. Não nos deixemos intimidar por nada. Antes, reflitamos a vida e toda a grandiosidade da sua esfera, para que o amor, a verdade e a esperança voltem a habitar os corações que se encontram dilacerados.
Por Ítalo Reis