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O perigo ronda a beira

Um passo de cada vez, mas tão próximo da queda, a roda viva abriga o perigo, e tudo o que lhe rodeia assopra o desejo proibido, “pule”, dizem, “pule que não sentirá a queda”, mas quem teria o poder de amortecer o chão frio? Certamente pereceria, certamente se perderia em si e se esqueceria no assoalho assombroso. Coragem não lhe falta, mas ainda lhe restam pingos de sanidade, e elas ainda falam, falam pouco, mas de toda forma, ainda falam, entretanto, até quando se arrastará pelas migalhas que lhe sobraram? E nestas dúvidas infinitas que a loucura grita em sua alma, corrói seus sentidos, entorpecendo-te, e dizem: as pedras abraçarão seu corpo, doerá um pouco, mas quem não quer sentir o sólido do mar? De fato, os fatos não cabem neste caminho tão doído, onde a própria alma se coloca nas mãos do despenhadeiro e torce para que ele seja bonzinho. Não se joga a bandeira no meio da guerra, para ser covarde também precisa de um momento de coragem, a mais breve das coragens, quando se lança para a morte iminente e por um momento se arrepende, mas então, já é tarde.

Saia da beira, o perigo gosta deste lugar, ele assombra aqueles que passam, e se infiltra em suas mentes quando permitem, não brinque com ele, pois ele não terá piedade quando quiser parar, quando perceber já estará no meio da corda bamba, entre o céu e a terra, entre a vida e a morte, a corda e a queda. Não é desta forma que se aprofunda em si mesmo, sozinho apenas encontrará a dor do desfiladeiro, os céus precisam guiar seu caminho para poder ser inteiro, por isso saia da beira e vá encontrar a metade que falta no espelho, em solo firme, em passos certos, longe do delírio que ronda quieto e quieto neste deserto, silencioso como as plumas, mas que quando perceber já terá devastado seu interno.

Por Luiza Campos

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