Aquilo que os olhos veem e as mãos apalpam não precisam de comprovação teórica; são realidades manifestas, validadas pela própria existência. Porém, há uma outra dimensão que não se deixa ver nem ser tocada, que foge à compreensão humana, mas que, pela luz do entendimento, tem a mesma proporção de comprovação. Aquele que enxerga como alma transcende o inimaginável; enxerga pela verdade. E ao ver pela verdade, não há como ser enganado, porque a visão é cristalina e comprovada dentro do coração. As coisas espirituais não fazem parte desta dimensão material, elas não são vistas pelos olhos deste corpo humano, nem são sentidas pelo coração que se inclina para a esquerda; não são apalpadas pelas mãos deste corpo finito e não há como trilhar seus caminhos com estes pés que se cansam e que possuem calos. A dimensão espiritual se encontra dentro de cada um; é um universo infinito dentro da alma.
É preciso desbravar o próprio céu, voar entre as nuvens que intercalam os pensamentos e usar o binóculo da sabedoria para vislumbrar cada detalhe. A luneta celeste é o discernimento, onde podemos separar cada elemento, colocando cada coisa em seu lugar para que a engrenagem da vida rode como um filme perfeito, com um final feliz por não ter fim, e sim ser eterno. Enxergar essa outra dimensão requer sensibilidade, desejo e busca; demanda entrega, e é imprescindível doar-se de todo o coração. Afinal, os olhos veem o que o coração deseja, e assim ele segue até alcançar o que traçou por meta em outro plano; a dimensão que está bem além deste pequeno espaço.
Por Patrícia Campos
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