Ouvi soar uma canção
Que exclamava a frase: “Pague o preço”
Dizia ser alforria do coração
E a liberdade dos próprios medos
Como reses na fila do matadouro
A multidão seguia entoando
Contramão do tempo vindouro
Angústias e vazio no âmago
Aparência de sabedoria
Mas a tolice lacrimejava no olhar
Vaidade, soberba, hipocrisia
Promessa falsa da alma se salvar
Querem expiar seus próprios pecados
Sacrificando corpo alheio
Insanidade de corações malvados
Encobertos pelo frio nevoeiro
O preço a pagar pela vida eterna
Vale simplesmente a própria alma
Purificando-se de todo pó da terra
Deixando toda tradição e seus ensalmas
Ninguém fez ou fará por ninguém
A obra que temos a fazer
Fizeram da salvação clichê
Não compreenderam o verdadeiro renascer
Sistema da transformação ocorre internamente
O ventre é a própria consciência
Para se apossar da vida eternamente
Não é através de clemência
Há do efêmero rejeitar
Passar pela metamorfose existencial
Há também de se negar
Tornar-se de fato espiritual
Por Michele Mi ![]()