Eu olhei ao meu redor e pensei:
Quem pode me tocar?
Olhei aos céus e clamei
Para que uma alma pura pudesse comigo conversar
E juntos pudéssemos somar
Mas fiquei na estrada, parado,
Somente eu e meus pensamentos
O dia passou tão de repente
Que eu nem percebia
A corrida deste tempo!
Meus olhos ficaram focados
Em poder uma alma despertar
Era tanta a minha vontade
Que, por vezes, eu esquecia
Do meu próprio lar!
E percebi que é aí que mora o perigo:
Eu queria cuidar de uma alma,
Sendo que a minha estava no meio
E eu teria que conquistá-la
Para tudo aquilo ter sentido nesta estrada
Foi quando parei de tentar
Bater em todas as portas
E comecei a deixar vir naturalmente
Talvez, no momento oportuno,
Brote algo verdadeiro,
E que seja duradouro e permanente
Pois o soar das palavras
Ecoa longe,
Mas quem está atento à sua voz?
Muitos silenciaram a verdade,
E tudo aquilo que há neste mundo
Aos poucos os corrói
Porque não se vê integridade,
Muito menos pureza
A maldade foi idolatrada,
E brigam por qualquer bobeira
Eu fico aqui, simplesmente sonhando
Com alguém para somente conversar
Ninguém está disposto a nada,
Só querem mesmo é bisbilhotar
Interesses alheios falam alto
Ninguém quer degustar do pão,
Da fartura dos céus sobre à mesa
Preferem o amargo fel do engano
Como compreender esta geração,
Se tantos perderam a estribeira?
Corrompidos pela ganância,
Esqueceram da simplicidade
Que ainda os rodeia
Talvez eu não esteja procurando
A pessoa perfeita para caminhar comigo
Talvez esteja apenas procurando
Uma alma que saiba ouvir,
Uma presença que não queira só possuir,
Uma verdade que não precise fingir
E talvez seja isso que tenha aprendido:
Antes de encontrar alguém para somar,
Preciso aprender a habitar em mim
Porque quando a minha própria alma encontra paz na vida
Já não procuro alguém para me completar,
Mas alguém que queira caminhar
E, juntos, possamos simplesmente compreender o que é somar
Por Ítalo Reis