Não somente rasgar, mas queimar, deixar que o fogo consuma até virar cinzas dentro da alma, que a fumaça seja prova de que houve o verdadeiro reconhecimento do que deve ser destruído dentro de si. A alma tem que se revestir do que é eterno para não achar lugar para se encontrar nua. Porque a carne a deixará só, ela não segue depois que cai, ali ela fica e se torna uma com o pó, é desta maneira que ocorre, do pó este corpo mortal veio e ao pó tornará, mas dentro de nós há um que veio do céu e ele veio para nos vestir da sua sabedoria, veio para nos calçar do seu evangelho, veio nos cobrir com os seus segredos, os quais quer nos revelar através do seu amor.
Rasgar as velhas vestes é sinônimo de compreensão, de saber o que está fazendo, saber de que lado está, é estar do seu próprio lado, saber que você pode ir muito além do que estes olhos possam ver, é adentrar em si e sair do outro lado do infinito, é cruzar a linha de chegada do plano superior, é não se importar com o que vai deixar do lado de cá, é querer ultrapassar a barreira da justiça e cravar a bandeira da paz no próprio coração. É ter a consciência de que se revestir é infinitamente melhor do que estar vestida do que fenece, porque se revestir do eterno te traz vida, te faz estar com roupa de gala em plena luz do dia, com toda simplicidade porque não é ser melhor, mas sim estar melhor do que sempre esteve, estar no auge da vestimenta, se revestir do que eternamente irá lhe cobrir de todo o prazer que alma almeja.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Milena