Ruir a base que te segura, pois um dia irá ruir sozinha, deixar os rastros que te seguem, seguir os passos da vida, esquecer as histórias que montou, deixar o que sempre te fascinou. Uma renúncia, um ganho, para subir precisa escalar, voar, deixar o chão que te segura, desprender-se do passado, buscar o que te cura, se reprogramar, reaprender, começar a escutar, parar de muito querer e nada fazer. No caminho da vida precisamos saber onde pisamos, onde estamos, onde mudamos e onde mudaremos, é preciso pensar, raciocinar, para não andar sem freio, para não quebrar seu espelho. São muitos passos para metamorfosear, mas antes é preciso saber o que precisa ser feito, por isso a importância de calar o mundo, calar o coração e ouvir a razão, ouvir o vento, a voz que sussurra dentro, que clama para ser ouvida, para ser seguida.
De nada adianta se maravilhar com a sabedoria divina se seu coração for preso, o fim será trágico do mesmo jeito, se não começar do zero, deixar as amarras que te prendem, nada seguirá adiante, o passado sempre será uma constante, uma dúvida, uma semente, que a qualquer momento pode derrubar sua frágil estrutura. O barro não oferece solidez, areia movediça, quanto mais se meche, mais se encontra sem saída, o que te sustenta pulsa seu coração, e sua alma alimenta, com as mãos estendidas, com a chave nas mãos, lhe oferecendo muito mais do que a saída, pois além de tudo oferece-lhe a vida. Reprogramar-se do zero, apenas assim sairá do lugar, pois tudo o que antes firmou tanto em seu coração, um dia vai acabar.
Por Luiza
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