De que valem as horas que se perdem neste tempo finito? Um tempo que não será contado, apagado e esquecido como as fotografias centenárias. Quem as olha nada sente; são apenas imagens, sem significado algum. Os ponteiros não contam nossa história, apenas circulam, sem fundamento, apressando-nos rumo ao nada. Corrida em direção ao abismo… Quem poderá conter este tempo e vestir a eternidade espelhada pela luz da sabedoria? O dia passa e a noite chega, trazendo a melancolia da incompreensão.
Quando pararemos este relógio para entender que o tempo não nos serve, senão para mostrar que não podemos mais perder tempo com o tempo perdido? É preciso fechar os olhos para fora e abri-los para a imensidão interna. Refletir a luz que transcende o peito, capaz de nos transportar de planos, tirando-nos da efemeridade, conduzindo-nos à eternidade da vida. Este tempo é apenas o berço para nos encontrarmos, para realizarmos o que nos foi confiado. Através de nós, consciências, atravessamos a cronologia, deixando-a para trás como um ponto de partida o início de uma trajetória infinita. Que este seja o tempo de nos achar, e não o tempo de se perder. O tempo de encontrar o verdadeiro ser, aquele que transcende os segundos e resplandece dentro do infinito, onde o tempo, enfim, não precisa mais ser contado.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Arthur