O temporal canta com o bem-te-vi, dança com confusões, quem diria que estaria por aqui, nesta maré alta de decepções. O mundo já foi abandonado, por Deus e por cada indivíduo, todos se deixaram, e brincaram com o precipício. Sorrisos, sorriem para seus reflexos com os olhos salgados, com a tez desnuda, com o tempo marcado. O relógio aponta para um lado, o tempo aponta para outro, os dias correm desenfreados, enquanto o coração não vê, absorto. Apenas um momento de silêncio, para ouvir as gotas que caem, se houvesse uma pausa nestes tempos, os passarinhos cantariam mais, silenciar os ruídos, potencializar os sons, educar os ouvidos para interpretar o que é bom. Admirar os segundos, prontificar-se a parar, enquanto tudo corre depressa, seu mundo parou de girar. Tenho muito mais para dar, muito mais para encontrar, ver cada parte de minh’alma, identificar, isolar, mudar. O ciclo do casulo, coração resoluto, resiliente, transforma seu lar, canta o que sente. Verdadeira, é o que devo ser, comigo mesma, sem tentar me esconder, aceitar a chuva, que salga meu igarapé, até virar oceano e ser infinito como o próprio Senhor é.
Por Luiza