Sorriso mascarando a verdade,
Um ar de quem está encontrando a paz,
mas, lá dentro, o peito queima,
condenado por estar totalmente encarcerado.
Fora de função se encontra,
mas não consegue nem ao menos perceber.
O foco principal é a aparência,
e diante dela todos querem estar em evidência.
E a vida fica calada, sem voz,
rejeitada pelos néscios de coração.
A justificativa é uma só:
“Eu tenho que viver agora”,
pois não enxergam a salvação.
Andam de um lado para o outro
e nunca mostram quem realmente são.
Enganam a si mesmos e querem enganar os outros,
mas, diante da vida, estão totalmente nus.
Em seus olhos não reluz a vida,
e o semblante se encontra esmorecido.
Tentam, a todo custo, mostrar que estão bem,
mas, no fundo, estão destruídos.
Não se encontram nesse labirinto
e não se identificam com nada.
O peso que carregam é a dor
que machuca por dentro da própria alma.
Conhecedores da verdade,
mas de que adianta,
se ela se encontra silenciada?
Escondem a verdadeira face
e vivem em constante vaidade.
Um turbilhão de sentimentos
cresce dentro dos corações
e engole os reféns deste tempo.
Ninguém consegue se enxergar,
pois, para a vida, já não resta tempo.
A vida fica jogada às traças, sem ninguém para conversar.
Os tolos querendo ser sábios,
e os sábios, calados, sem querer se expressar.
Tudo se inverteu,
o mundo virou de ponta-cabeça.
Uma desordem danada,
como se o céu tivesse fechado a porteira.
Quem se encontra são
neste mundo perdido?
Tantas almas degeneradas,
perdidas em seus próprios destinos.
Será isso um desatino?
Será que já não conseguem acreditar na vida?
O que impede a alma de seguir, se ela nem em si mesma consegue acreditar?
Tantas perguntas escondidas,
que se fazem sem ninguém perceber.
Mas aquilo em que acreditamos
torna-se perceptível quando temos algo a fazer.
É ali que se revelam as intenções,
os desejos mais profundos e as nossas buscas,
pois Deus sonda cada coração
e espera que a alma a Ele dê honra e se curve.
Por Ítalo Reis