Uma vida falha, cheia de percalços, almas nuas, pés descalços. Na verdade, falharam com a vida, não souberam lê-la, identificar seu enigma. A vida estendeu a mão e não houve quem a estendesse de volta, ficou do lado de fora encostada a porta, ninguém a abriu e ela não lhe invadiria, jamais faria, tem educação e aguardou a sua compreensão, para que lhe abrisse a porta e então entraria em ti. Quem compreendeu a verdadeira vida? Não houve quem lhe entendesse e ainda viraram-lhe as costas, deixando-a sem resposta, como alguém indesejado. Seguiram assim, em falha constante, a todo instante, decidiram que morrer seria melhor, mesmo que inconsciente, porque em se tratando da vida não acharam saída, apenas feridas causadas por si.
Uma falsa vida, falha, comendo migalhas, contentando-se com tão pouco, tornaram-se loucos, em ecos tão roucos que não se podem ouvir. Falharam com a vida, sim falharam com ela, ao invés de a viverem, a desprezaram, buscando seus próprios interesses sem saber o que ela queria, que era apenas a sua companhia e que a espelhassem, para consigo voltarem ao estado de paz. Onde foi que falhamos senão pelo o que desejamos ao invés de dar lugar para a vida falar? Que possamos reconhecer a tempo a vida que ainda temos, ela que é importante para podermos seguir adiante neste infinito espelhando seu ser.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Luiz