Um corpo morto que se sente um super-herói, triste escombro, disfarçando o que corrói. Um lugar efêmero e hipnotizante que, em pouco tempo, fez-te insignificante. De onde tiraste um poder inexistente? Por que enfraqueceste por tão pouco? Um estalo, e te vês como um mero sobrevivente que sente a morte, pouco a pouco. A vida continua a se mostrar… Na tentativa de alcançá-la, estendeste o braço, tua única forma de tentar ajudá-la. Os rostos te viraram as costas e não há saída, nem uma porta ou janela o vazio bate à porta, o fim está de sentinela. A cada segundo que passa, uma paisagem fica para trás.
Não há o que desfazer: nem os nós, nem o pó, nem os ais. Perdeu-se no tempo perdido, onde só a dor te poderia confortar; o sal que encontra o caminho na tez rabisca em teu rosto o próprio mar. Onde foi parar tua força? Por que se despediu e se despiu da tua única paz? Foste amante da tua própria forca, uma obra quase perfeita que não se desfaz. Chega a hora e não se encontra o tempo da solução, apenas o tempo da solidão. Por que desenhaste esta estrada tão remota, onde naufragou teu coração? Vulneráveis almas terrenas, vulcanizadas ao pó, pela areia tornaste-te pequena, teu estado tocado em dó… A única nota que soa, mas não toca o teu coração. Foste a decepção valiosa que se manteve na contramão. Antes fosses na contramão do caminho que, ao fim, traria teu fim… Mas não: andaste contrária à vida, e teu destino será a solidão.
Por Patrícia Campos ![]()