A zona de conforto da retórica é um lugar de comodismo, onde as mudanças não chegam e a retórica se torna o trono, pois sentados no discurso a falsa sensação de sapiência, contida por saber explicar a vida, flui e mascara o vazio da existência. O que sustenta a retórica é a arte de persuadir pelo conhecimento adquirido, e dentro de qualquer situação, seja ela qual for, faz-se o uso da mesma com propriedade ao ponto de até o sujeito do discurso, ser convencido. Na zona de conforto da retórica, a fala tem mais peso para o locutor do que a falta de suas próprias ações em relação ao que com eloquência, na maioria das vezes, propaga. Por vezes incomoda, porém a receptividade calorosa dos interlocutores, também ávidos por conforto em sua inércia, faz dirimir a culpa e silencia a voz interna que aponta a hipocrisia.
Toda zona de conforto traz a falsa sensação de estabilidade, pois não provoca a dor que todo movimento de mudança interior provoca, sendo assim torna-se mais uma prisão, porém consciente, presente no falso estado de santidade. No caminho da vida não cabe fazer morada em qualquer zona de conforto, afinal fazer a vontade de Deus insta confrontar e enfrentar os conflitos internos, as mazelas instaladas, bem como o próprio discurso, para que a fala e o comodismo das análises, dê lugar as ações de fato, a fim de que o crescimento espiritual vá se consolidando e manifestando na consciência, pois ficar apenas no lugar da fala e do conhecimento, impede o cumprimento do propósito divino na consciência, pois há que se ter uma desconexão entre o falar e o ser, para que o intelecto não cause a estagnação da consciência! A retórica sem ação é uma “cela de luxo” onde a consciência se atrofia enquanto a língua se exercita. A começar em mim!
Por Lo Xavier