Conteúdo do Post

O sistema encarcera

Por trás da tela se observa; ali se vê tudo o que deixa a alma refém. Uma linha tênue que prende, no invisível se faz a ligação. Mesmo quando não há pretensão consciente, é uma conexão presente e insistente que domina a mente daquele que não sente que seus próprios passos desequilibrados o levam ao fracasso — e, depois, ele não conhece o caminho de volta. Mesmo as faces sendo distintas, o semblante é o mesmo: caído, triste, com um sorriso maquiado que tenta disfarçar todo o peso que o peito carrega, sem ao menos saber o porquê. É o sistema que aprisionou e não comunicou que seria este o esquema; o mal que não sai de cena, é de dar pena. As almas que choram sem som, o silêncio que grita a dor, os olhos que carregam o mar e a noite que não tem cor. O sistema encarcera sem cela, sem trégua, e não se encerra. Apenas no fim, quando tudo já era.

Quem dera pudesse livrar-se de tanta quimera… A dor reverbera em toda a esfera que envolve esta tela que prende, fazendo com que se fique em círculos atrás dela, seguindo-a de forma hipnotizante. No fim, a avalanche que empurra a alma ao precipício eterno. Quiçá seus pés pudessem voltar, talvez recomeçar, e a alma entregar a quem de direito pertence, para que seu sorriso se torne verdadeiro, trazendo-lhe a liberdade que tanto almeja. Soltar as amarras deste maldito sistema, voar livremente, sair desta cena, deste estado de pena. Nas mãos você carrega a escolha; não a folheie como folhas de um caderno antigo que cheira ao mofo perdido entre paredes vazias. Liberte-se!

Por Patrícia Campos