Se a liberdade falasse, não seria compreendida por vozes, mas sons, variados, ricos, afinados, todos eles se uniriam e formariam um. Se a liberdade possuísse corpo, certamente não teria tez, mas formas, abstratas, reais, sentidas, com cores, planícies e montanhas, com infinitos azuis e mergulhada em constelações. A liberdade seria o todo e tudo teria a liberdade, passaria sua mensagem pelo piar do passarinho e a compreensão tocaria a cidade, falaria através das calmas ondas e também pela fúria da tempestade, cantaria com o vento e nadaria com as ondas dos mares. No entanto, parece-me que o mundo é cego, esta evidência que chegou a mim, e tirei uma conclusão, a liberdade realmente existe, só não é vista, não é sentida, a liberdade realmente está em cada canto, mas não é lembrada, não é vivida, eu a vejo, de vez em quando, voando com as aves no céu, balançando com as copas das árvores, vejo sua tez no horizonte verde, e sinto sua voz tocando os oceanos, como um pastor que guia seu rebanho, o que aconteceu com o mundo? Ninguém soube responder, pois prefere a solitária prisão do que viver, cavando seu caixão ao invés de renascer, e toda esta beleza que nos envolve passa no esquecimento, pois o mundo está muito ocupado para perceber.
Por Luiza