Não olhe muito perto, não olhe demais, uma história com vários inícios, uma história com vários finais. O conto de um mentiroso, expande as alegrias e duplica os ais, nunca se encontra, sempre perdido, perdeu-se nas contas, o mesmo resultado, cálculos infinitos. Já não reconhece seu reflexo, já não se vê em suas histórias, tercerizou-se, perdeu o nexo, chegou o momento que não há mais a verdadeira trajetória. Mesclou-se com as mentiras, tornou-se parte delas, tantas fantasias, grandes sequelas, será quando as cortinas baixarem que verá, as palmas, as vaias, os risos, as lágrimas, cessaram, calaram, procurará aprovação, buscará o repúdio, mas nada terá, apenas seus sentimentos mais pútridos, ruidosos, que gritam sem voz e atormentam sua alma.
A verdade tem pena da mentira, mas sempre que sua luz se aproxima a existência mentirosa esvanece, como as maçãs fora de época, apodrece, não há futuro para uma base feita de lama, não há firmeza para palavras em frases falsas, não há amanhã para quem adormece em ilusões, não há luz para quem se banha em escuridão. Por conta desses motivos, e por muitos outros, não olhe muito de perto, prefira ficar distante, suas linhas tortas são facilmente vistas, e sua história tão bem montada por anos, em ruínas, frágil, como papel molhado, pobre peito, escolheu tantas mentiras, com a verdade ao seu lado.
Por Luiza