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Fértil para a eternidade viva

As sementes que se plantaram em solo fértil não foram sementes que trariam frutos proveitosos; mesmo assim, elas brotaram, cresceram e se voltaram contra aquela terra. Ela não havia percebido que plantara em si o mal, e que seus frutos se tornariam gigantes, a ponto de dominá-la. As estações iam e vinham, e a sua fraqueza predominava. Não havia mais força, não brotava mais ali o verde da esperança; de fértil, tornou-se árida. Sua sede aumentava, mas ela não sabia onde nem como cavar para si uma cisterna que minasse água, nem que fosse um pouquinho para molhar a boca. Eram tantos pensamentos que a afogavam, assim como as pragas que brotam na lavoura, não deixando restar nada que pudesse trazer-lhe a vida de volta. Apesar disso, tudo está à nossa mão: o mesmo que planta tem o poder de se arrepender, arrancar toda a praga da sua lavoura e trazer a semente da vida para si.

Não precisa ir a lugar algum, mas precisa viajar longe nos pensamentos, subir além das montanhas mais altas, voar muito acima dos abutres-de-Rüppell, alcançar um lugar nas alturas que eles desconhecem, um lugar onde nunca conseguiram chegar. Porque a terra fértil tem este poder: o de se curar, de se cuidar, de se preparar para receber a semente que brota a vida. Tem o poder de sentir o prazer da transformação, de ver todos os seus inimigos se extinguirem, se tornarem como a fumaça que o vento espalha. O segredo é criar um solo solto que não fique encharcado para não virar lama, que se enriqueça de todos os nutrientes celestes, para que se fortaleça e consiga receber a semente perene, acomodando-a em toda a extensão do seu solo. Tornando-se um com a vida, nunca mais será solo só, mas sim o solo que traz a união perfeita entre a alma e o espírito.

Por Patrícia Campos