Criou o hábito de fugir de si mesmo, e não quis enfrentar o seu reflexo no espelho, talvez o tempo te trouxe lembranças vazias, e você acumulou tudo dentro do seu peito. As controvérsias te fizeram tornar um verdadeiro negligente da verdade. As máscaras tamparam seu eu verdadeiro, e não sabe mais qual é sua real identidade. O silêncio ecoa dentro, mas acusa pela desaprovação. O medo sempre te impõe limites, e te faz acreditar na própria alusão. E assim o hábito de fugir de si mesmo continua permanente, e presente, é um círculo contínuo que abre brechas, que não tem parâmetro para acabar a não ser que o próprio dê um basta! Pois a ressonância dos nossos atos deve dissipar tudo aquilo que nos impede de mergulhar profundamente em nós mesmos, pois há barreiras invisíveis que se erguem diante da alma, e silêncios que ocultam a verdade, e medos que aprisionam sentimentos que nos afastam daquilo que realmente somos de fato.
Conhecer a si mesmo é atravessar as tempestades internas, é lutar sem temer, é compreender as cicatrizes e transforma-las em atos de sabedoria. Somente quando ouvimos o eco dos nossos atos, é que podemos perceber a dimensão daquilo que carregamos no coração. É nesse encontro silencioso com a própria essência que descobrimos quem realmente somos e quem espelhamos. Por esse motivo nunca podemos negar quem somos, mas devemos ter convicção no que carregamos, pois é assim que constrói a identidade da única versão que é real e verdadeira a qual nos mostra a certeza e a clareza da vida em nosso espelho consciência. Porque fugir de si mesmo terá sua consequência a qual será uma eterna pena, sem ter justificativa de nada, apenas ouvirá o eco da solidão, clamando sem ninguém poder te dar as mãos.
Por Ítalo Reis