A história de um mentiroso

Não olhe muito perto, não olhe demais, uma história com vários inícios, uma história com vários finais. O conto de um mentiroso, expande as alegrias e duplica os ais, nunca se encontra, sempre perdido, perdeu-se nas contas, o mesmo resultado, cálculos infinitos. Já não reconhece seu reflexo, já não se vê em suas histórias, tercerizou-se, […]
Sossego do coração

Sossega coração, aquieta sua confusão, sossega alma, traga a paz e abrace a calma, tudo isto com os olhos fechados, mas com a sabedoria acordada, no silêncio das angústias e no acalento das madrugadas. Só se encontra no interno, no reflexo de seus olhos, ali está o sentimento terno, a cura para o opróbrio, é […]
Retrato da liberdade

Se a liberdade falasse, não seria compreendida por vozes, mas sons, variados, ricos, afinados, todos eles se uniriam e formariam um. Se a liberdade possuísse corpo, certamente não teria tez, mas formas, abstratas, reais, sentidas, com cores, planícies e montanhas, com infinitos azuis e mergulhada em constelações. A liberdade seria o todo e tudo teria […]
Aos olhos de quem vê

O frio beijou minhas bochechas, não para trazer frieza, mas para colorir os galhos com as cores dos ipês, eu senti sua voz me avisando que não é falta, são os olhos de quem vê, caso nada tiver, nada terá graça, mesmo olhando atentamente, a cegueira permeia e enlaça. São as quatro paredes, prendem, coíbem, […]
Carícia do vento

O calor do sol tocou minha pele, lembrando-me que sua luz ainda paira por aqui, levou-me ao céu com seu esplendor, mostrou-me o que viria ao porvir. A liberdade é fascinante, a liberdade é viciante, poucos conhecem sua tez, mesmo todos tendo a semente, mesmo que todos acham que a sente, poucos a tem. Uma […]
Coisas pequenas

O degradê que contornam os galhos, o rosa nas nuvens brancas, o verde vivo das plantas, horizonte cheio de cores, a liberdade dos passarinhos, o canto dos ponteiros silenciados, a pausa do dia, início de um caminho calmo. Vento que valsa pelo campo, brinca com as plantações e refrescam as árvores, raios que adentram as […]
Insistir no raso

Oceano infinito, não há fim, não há início, não há chão, nem teto, há o infinito, coração profundo, mas quieto. Ninguém escuta as profundezas, são apenas murmúrios para as poças que alimentam, e toda esta beleza encontra-se no esquecimento. Não seria a ordem, insistir no raso, é a desordem que causam, não há mergulho, pisam, […]
Se reprogramar do zero

Ruir a base que te segura, pois um dia irá ruir sozinha, deixar os rastros que te seguem, seguir os passos da vida, esquecer as histórias que montou, deixar o que sempre te fascinou. Uma renúncia, um ganho, para subir precisa escalar, voar, deixar o chão que te segura, desprender-se do passado, buscar o que […]
Ouvir quem te chama

Uma voz ecoa nas profundezas, quer vir a superfície e mostrar sua tez ao oceano, mas muitas vezes é silenciada pela fúria do mar, e abafada pela dor e pelo pranto. Entretanto, essa voz permanece, e permanecerá até o último sol, chamando, clamando, para que se volte e venha ter com quem te espera, quem […]
Nova história

Criamos tragédias com nossos próprios pincéis, traços cinzas de fuligem, borram o quadro, trazem o vazio. Essa história se repete, em todo coração frio, uma loucura compartilhada e aceita pelo povo vil, fábula, passada de geração em geração, corrida para o nada que se passa o bastão, como quem diz: “continue este conto vazio por […]